Reforma Tributária: o maior risco está nas decisões que a empresa ainda não tomou
A Reforma Tributária não começa quando a nova cobrança aparecer no caixa. Ela começa quando a empresa decide preparar seus dados, contratos, sistemas e processos para operar em um modelo tributário diferente.
6/25/20263 min read


A notícia mais recente publicada no portal Reforma Tributária, em 24/06/2026, traz um alerta importante para empresários, gestores e lideranças fiscais: muitas organizações ainda tratam a reforma como um evento futuro, quando, na prática, ela já está em andamento.
Esse é o ponto central. A transição para CBS e IBS não é apenas uma mudança de siglas. É uma mudança de lógica operacional.
O erro mais comum neste momento é imaginar que a empresa pode esperar a regulamentação estar totalmente consolidada para só então agir. Essa postura parece prudente, mas pode se transformar em risco. Em temas tributários estruturais, esperar demais costuma encurtar o prazo de reação, aumentar custos de adaptação e expor falhas que poderiam ser corrigidas com antecedência.
A Receita Federal já publicou orientações para 2026 indicando obrigações relacionadas à emissão de documentos fiscais eletrônicos com destaque de CBS e IBS, além de declarações e documentos próprios para regimes específicos quando disponibilizados. Ou seja: o ano de 2026 já exige preparação prática. Mesmo quando houver dispensa de recolhimento em determinadas situações do ano-teste, a qualidade da informação fiscal passa a ser decisiva.
Para as empresas, isso muda a prioridade. A pergunta deixa de ser apenas “qual será a alíquota?” e passa a ser: “meus dados, cadastros, contratos, sistemas e equipes estão prontos para calcular, documentar e comprovar corretamente as operações no novo modelo?”
Esse ponto é sensível porque a Reforma Tributária alcança áreas que vão muito além do departamento fiscal. A área tributária continua sendo essencial, mas ela não conseguirá conduzir a transição sozinha. Tecnologia, faturamento, compras, jurídico, controladoria, comercial, financeiro e tesouraria passam a ter papel direto na governança do novo modelo.
Um exemplo claro está nos cadastros fiscais. Códigos, classificações, NCM, NBS, CST, natureza da operação, regras por produto, serviço, local de destino e dados de clientes e fornecedores precisam ser revisados com mais rigor. Em um ambiente em que documentos fiscais tendem a ganhar peso ainda maior para apuração e controle, informação inconsistente pode gerar crédito indevido, débito incorreto, retrabalho, autuações ou perda de eficiência financeira.
Outro ponto crítico está nos contratos.
Muitos contratos vigentes foram firmados considerando a estrutura atual de PIS, Cofins, ICMS e ISS. Com a substituição gradual desses tributos por CBS e IBS, cláusulas de preço, reajuste, repasse tributário, responsabilidade fiscal, retenções, formação de margem e equilíbrio econômico podem precisar de revisão. A falta dessa análise pode gerar discussões comerciais desnecessárias entre fornecedor e cliente, especialmente em contratos de longo prazo.
Também há impacto direto no fluxo de caixa. A forma de apropriação de créditos, a lógica de tributação no destino, os regimes específicos, os prazos de apuração e os mecanismos de pagamento podem alterar o comportamento financeiro das operações. Empresas que trabalham com margens apertadas, cadeias longas, vendas interestaduais, prestação de serviços recorrentes ou contratos públicos devem antecipar simulações.
Não se trata de prever tudo com precisão absoluta. Trata-se de reduzir zonas cegas.
A empresa que inicia agora um diagnóstico tributário e operacional tende a chegar à transição com mais clareza. Ela consegue mapear quais operações são mais sensíveis, quais sistemas precisam ser ajustados, quais fornecedores exigem revisão documental, quais contratos merecem renegociação e quais áreas internas precisam ser treinadas.
Na prática, um plano mínimo deveria contemplar alguns movimentos:
Mapear operações, receitas, custos, créditos e regimes aplicáveis.
Revisar cadastros de produtos, serviços, clientes e fornecedores.
Avaliar impactos da CBS e do IBS em preços, margens e fluxo de caixa.
Revisar contratos com cláusulas tributárias relevantes.
Alinhar ERP, emissão fiscal, integrações e obrigações acessórias.
Treinar equipes envolvidas no ciclo da operação, não apenas o time fiscal.
Criar uma governança interna para acompanhar notas técnicas, normas e atualizações oficiais.
O ponto de atenção contábil também é relevante. A transição exigirá consistência entre documento fiscal, escrituração, apuração, conciliações e demonstrações gerenciais. O contador deixa de ser apenas o agente de cumprimento e passa a ser peça estratégica na leitura dos impactos econômicos da reforma.
Para gestores, o recado é direto: a Reforma Tributária precisa entrar na agenda de decisão da empresa. Não como pauta genérica, mas como projeto de negócio.
Empresas que tratam o tema apenas como obrigação futura tendem a reagir tarde. Empresas que tratam a reforma como transformação operacional conseguem preparar sistemas, pessoas e decisões comerciais com mais controle.
O maior risco, portanto, não está apenas no que ainda falta regulamentar. Está nas decisões internas que continuam paradas.
A CORYTAX acompanha esse movimento com foco naquilo que mais importa para empresas: clareza, planejamento, segurança fiscal e visão estratégica. A transição tributária será longa, mas a preparação não pode ser deixada para o último momento.
